Posto da Cida ou Estação da Jaguara
Tarde ensolarada, quase causticante, de domingo, dia de descanso e do
“Senhor”!
Margeando a rodovia, um canavial carbonizado onde só as hastes das gramíneas, resistiram de pé à degustação das labaredas.
Acolá um bando de caracarás sobrevoa a devastação, enquanto alguns
pousam e desfrutam do banquete quase calcinado, que as chamas, na sua voracidade, lhes prepararam.
Em um descampado, estão dois velhos ônibus cobertos de poeira, ostentando nas laterais a palavra “Rurais”, com seus motoristas descansando na rara sombra de um pau d’arco.
Lá no meio, onde as canas sapecadas abundam, dezenas de trabalhadores, podões faiscando nas calejadas mãos, debruçam sobre os molhes de cana os reluzentes torços nus, onde o suor drena a cobertura de cinza de que estão impregnados seus corpos, escravizados pela necessidade de sobreviver, em um mundo tão desigual. Saindo de um dos “ranchos” dos arredores, um abastado pai assiste, com orgulho, seu rebento adolescente demonstrar sua habilidade, no volante de um de seus carros, consumindo, com alegria e indiferença, o suor daqueles que nada têm, além da força do trabalho e a “disposição” para serem explorados.
Sacramento, 30 de setembro de 2008.
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"Apenas um poema"
Tortura
Nosso quarto de casal
uma fria cama partilhada,
com meu ardor carnal
e tua passiva presença
enfadada.
Minha sofreguidão
e, após o orgasmo nada,
além de teu ressonar
compassado, noite adentro,
o desejo que enfrento,
uno, insano, insaciado
e que se alia ao clamor contido,
que mantenho escondido
no oculto da solidão,
que suporto calado,
sou apenas teu marido.
Ah, se tu quiseste,
reacender no semblante
minha ilusão
de ti dependente
e aquele grande amor
que me juraste,
do qual te saciaste
e que nunca me deste!
Este é apenas um poema de ficção e, qualquer semelhança com a realidade será mera coincidência = Sacramento 11 de outubro de 2008. Vicente Rodrigues da Silva Filho.Tenente Vicente