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Domingo, 21 de Março de 2010

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Ruas do Comércio

Nas "avenidas" da gente tanto faz a Visconde ou Clemente, nascidas juntas sob a "graça", do antigo ponto de "carros de praça", desfilam moças diariamente e, são tão lindas de se ver, envoltas em uma áurea, que intensa luz irradia, de dia, ofuscam o sol, adiam o anoitecer e fazem que, em nossa mente, a tarde pareça manhã e a noite, o mais claro dia, silenciar-se o ambiente, calarem-se os pardais, e o idoso ou doente, se esquecer de seus "ais" e relembrar da mocidade, da longa espera, as vezes vã, de vislumbrar na calçada, do coração da cidade a doce figura da amada.

Belas entre tantas, todas belas, loiras, negras, mulatas, morenas, vovós, mamães, meninas, donzelas, Marias virgens, Santas, Madalenas, moças do outrora, do hoje e dos amanhãs, vindas, ou não, de lares de paz,de opulência, ou de pobreza, se diferentes em seus afãs, são todas iguais, na beleza e, ao enlevo que vê-las nos traz, só nos cabe o agradecimento, pois são moças das avenidas,são moças das nossas vidas, mulheres de Sacramento. Nas avenidas da gente, passarelas de todas as cores, de gente iletrada e doutores, de sonhos e dissabores, alguns falsos amores, de velhos jovens, moleques, de memoráveis pileques, de vigaristas de talento, aposentados sem alento, grandes e anônimos artistas, dos, sempre bem vindos, turistas, das "cantadas", desvelos, intrigas, das pazes, após belas brigas, ou de um breve cumprimento, quem passar pela Clemente ou Visconde, vindo não importa de onde, sempre amará Sacramento.

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