Usando Rádio Rodeio, Túlio e Wolney criticam jornal ET



O comunicador da Rádio Rodeio, Túlio Marcos Anselmo da Costa, aproveitou o seu programa, Samba e Pagode, que vai ao ar aos domingos, para fazer um veemente e indignado protesto contra o jornal o Estado do Triângulo. O desabafo do radialista aconteceu no último domingo, 20, apoiado ao telefone, também ao vivo pela rádio, pelo ouvinte, Wolney Tácio Crispim.


Túlio Costa, locutor da rádio Rodeio, e Wolney Crispim: reportagem idiota, leviana e infeliz

O protesto de Túlio, presidente do Movimento Identidade Negro e Wolney, presidente do Movimento de Integração da Cultura Negra, foi contra a reportagem que noticiou o evento de inauguração do Centro de Memória da Cultura Negra ´Carolina Maria de Jesus´, realizado dia 13 último, quando este jornal, criticou o cerimonial da prefeitura por ter ignorado a presença do vice-prefeito, Pedro Teodoro Rodrigues de Rezende, na cerimônia, a ponto de não convidá-lo para compor as cadeiras reservadas às autoridades, com a expressão “...que grosseiramente não foi convidado”.

Mediante inúmeros telefonemas de solidariedade, no domingo e nos dias seguintes, e cartas à redação, como a de Camila Gomes, o jornal solicitou, amigavelmente, a gravação do programa e de pronto foi atendido pelo empresário Robson Quirino, proprietário da emissora, comprovando mais uma vez a sua lisura ética e democrática.

O CD, que se encontra em nossos arquivos, traz a gravação do programa entre 13h52 a 14h30, quando registra o protesto dos presidentes. Mas antes desse horário, já iniciara o protesto, pela afirmação do locutor: “Ah, vai ser bom pra lá, passou aquela tensão que eu tava, eu tinha que desabafar”, disse e seguiu com o programa, até às 14h00, quando afirma: “Hoje o bicho ´tá pegano´ aqui, mesmo”, e atende ao telefonema de Wolney.

Leia o teor do diálogo, em que foram cortados os trechos repetidos:

Wolney “Eu não estou muito tranqüilo, pela reportagem que saiu nesse final de semana, nós da administração, do movimento, aquilo que nós 'pretendia´... Foi uma festa muito bonita...
Túlio interrompe e diz: Por sinal, uma festa que atingiu todos os objetivos, tivemos mais de mil pessoas concentrados em frente ao Arquivo Público Municipal e depois me vem um jornal, de uma credibilidade imensa em Sacramento, e me faz uma reportagem totalmente política, sendo que o nosso caso é apolítico, mesmo. A própria comunidade negra, muito pelo contrário, a nossa briga é de inserção, mesmo, de ocupar espaço e vem um jornal deturpando o nosso idealismo, o nosso sonho de igualdade, de liberdade, de fraternidade de confraternização, atrapalhando todo o nosso evento, dando a conotação política, sendo que não era a nossa meta. Nós nunca tivemos em Sacramento, um 13 de Maio tão planejado, tão trabalhado, que reuniu todos os segmentos da comunidade negra e me vem uma reportagem infeliz, infeliz, mesmo de um jornal de décadas dentro de Sacramento e fazer uma coisa dessas. Está aqui o meu protesto e da comunidade negra.

Wolney: Eu vou mais além, eu vou dar nomes aos bois. O que acontece, o diretor do jornal, o senhor Walmor Júlio da Silva, parceiro nosso em outros eventos, ele foi infeliz. É o seguinte: se ele tem alguma rixa política, que ele declare claramente, mas não venha nos usar. Uma vez ele esteve comigo, quando eu fui presidente do CENEG... Eu não quero mais uma vez ser uma princesa Izabel, está aqui um recado claro pra ele e claro mesmo, de Wolney de Tacio Crispim para Walmor Júlio Miguel (sic) da Silva - corrige Túlio. A gente não quer ser usado, não.
Aquela festa foi o seguinte, se ele quisesse dar alguma conotação que ele nos procurasse. A Maria Elena pediu, eu passei todas as informações, imprimi, deixei na casa dela, para que ela fizesse da melhor forma uma divulgação do que realmente aconteceu, sem conotação política. A gente tem que deixar claro, que nenhum evento, o jornal do Walmor não funciona, jornal de ninguém funciona sem o patrocínio, não sai do bolso dele, sai de quê, sai das pessoas que estão junto com a gente, são parceiras da gente. Nós tivemos um parceiro que foi a prefeitura municipal.

Túlio: Deixar bem claro, Wolney que já procuramos outras administrações, noutras oportunidades e em momento algum as portas abriram para a comunidade negra, não. Agora abriu.
Wolney: Você deu essa ênfase aí, porque ele sabe. Eu, até hoje, dentro desse jornal, é claro que a gente utiliza pra pesquisa, e tudo o mais, eu já fui dentro d'O Estado do Triângulo, é isso que chama o jornal, é isso? –
Túlio: É esse mesmo...
Wolney: Eu já fui lá fazer pesquisa e até hoje, nunca vi nada que seja assim... tem reportagem porque a gente faz, mas nunca vi nada beneficiando a gente.
Túlio: Com certeza.
Wolney: É porque a gente faz mesmo, corre atrás. Foi uma festa muito bonita e a gente não pode deixar passar, porque senão vai dar uma conotação política ao nosso movimento.
Túlio: Com certeza. E a nossa intenção não é essa.
Wolney: Teve essa infelicidade que ele colocou como grosseria nossa. Grosseria dele, falar uma coisa dessas. Que hora que ele veio perguntar pra você, pro seu Antonio, pra mim, por que determinada pessoa não foi convidada. Ele não veio atrás de mim, atrás de você. Fica um protesto meu, com relação a isso. Nós colocamos as suas sobrinhas (sic) participando, e colocamos a Escola Estadual Coronel José Afonso de Almeida, porque ele ´tava´ lá. Foi ele que participou ativamente e colocou essas pessoas, treinou muito bem, deu um caráter a essa particularidade de interpretação delas e que fizeram muito bem. A gente tem que valorizar. E ele sabe muito bem disso, porque ele é um reconhecedor e formador de talentos.

Mas a gente espera que nas próximas reportagens que eles vierem fazer, que consultem a gente, por que o fulano lá não esteve presente? Quem foram os parceiros de vocês? Aí a população vai ter uma visão melhor e bem clara de como aconteceu o evento. E só isso que eu tenho a dizer e é um desabafo, mesmo, porque eu estou no dia a dia, graças a Deus, gosto demais ... vou colocar mais uma vez, vou dar nomes aos bois... Gosto demais da Maria Elena, gosto demais do Walmor, mas eles foram infelizes nessa colocação, uma colocação política, porque eles não dão conotação política pra gente também, nos eventos que a gente faz.

Túlio: Com certeza, meu irmão. Wolney, e a brincadeira é que eles é que não procuraram em momento algum, nós que polarizamos, que estivemos à frente desse evento, para perguntar por que indivíduo X não foi convidado. Essa coisas tem que ser colocadas, as pessoas têm que deixar de usar a comunidade negra de pára-raio, de usar nossos eventos em questões particulares, políticas. Essa é a nossa briga. Estamos cansados disso. É por isso que eu falo: Comunidade, vamos abraçar, dar as mãos, comunidade sacramentana, da região, pára com essa coisa. Isso aí é a maior idiotice que já vi na vida. É brincadeira, sermos usados mais uma vez, por questões particulares, de indiferenças pessoais e não sei se é só particular, não... Não vou falar, não Wolney, pra não causar o mesmo transtorno, pra não ser leviano igual foi essa reportagem. Eu quero só que fique o meu protesto, enquanto Túlio Costa, não é em nome da comunidade negra, não. Nós vamos sentar com todos os participantes do evento, vamos querer um espaço de resposta nesse jornal. Mas eu fico pensando, se é digno, esse veículo de comunicação, ter lá um escrito da comunidade negra. Eu acho, que não, sabe por que Wolney?

Por que às vezes vamos fazer o jogo que esse pessoal quer. O negócio nosso é outro e vou falar uma coisa, abre pra comunidade negra uma janela, mas quando abre janela é de banheiro, não é uma veneziana, não. Então, se abre uma janela de banheiro temos que usá-la pra ultrapassar e abrir caminho e abrir caminho pra que outros consigam trilhar um caminho bacana. Nós entrando nesse jogo aí, vai ficar brincadeira, só quero que fique o nosso protesto aqui, mesmo, o meu protesto, Túlio Costa. E você já deixou claro o seu protesto, enquanto Wolney Crispim. Vamos sentar essa semana e quem sabe, na nossa primeira edição do jornal. Alforria, nós não damos essa resposta aí, porque pra mim, esse veículo de comunicação que veiculou essa reportagem, não é digno de resposta nossa, não. Valeu, Wolney? –

Wolney: Eu tenho certeza disso, Túlio. A gente fica indignado, porque a repórter do jornal pediu os papéis, eu disse que levaria à casa dela e dito e feito, levei, então, essa informação divulgaram levianamente, eles não perguntaram porque não chamamos a pessoa. Nós não queremos, responsáveis por jornais, pessoal da imprensa em geral, nós não agüentamos mais ser usados, não. É um recado claro e ao vivo pra vocês, cansamos de ser usados.

Túlio: Wolney, eu fico feliz. Sabe por que fico feliz, é por que o jornal deles não atingiu o nosso povo, não atinge o nosso povo, não, mas esse meio de comunicação, a Rodeio FM, está entrando na casa de quem tem que saber dessa nossa resposta. E a entrevista que foi feita comigo, pela repórter do Jornal, não saiu.

Aquilo que nós não queríamos que saísse e que não era a nossa intenção, o nosso objetivo é o que eles colocaram. Então, esse tipo de veículo de comunicação não é bem vindo nos eventos da comunidade negra, que isso fique bem claro, aqui em Sacramento, a partir de hoje.

Eu faço parte do Centro de Referência da Cultura Negra e você também, eu falo isso aqui e vou defender isso na nossa reunião, esse veículo de comunicação não é benquisto, não é bem-vindo no nosso meio. O dia que eles tiverem consciência de que comunidade negra tem que ser respeitada como tal, ver os nossos objetivos, colocar em pauta tudo aquilo que nós queremos, o que nós pensamos, pra não ser nosso parceiro é melhor que não vá. Até hoje, estamos sozinhos na comunidade negra, os parceiros, que vêm estão sendo detonados pelos veículos de comunicação, então é melhor que não vem, não é verdade, meu velho?

Wolney: Estou de acordo com você, e pra gente fechar com chave de ouro, quero oferecer uma música pra...”.

Nota da Redação

A verborréia de Túlio e Wolney, em forma de protesto, pela rádio Rodeio, durou quase meia hora. A reportagem foi tachada de idiota, leviana, infeliz e de conotação política, e que, o jornal não será mais bem-vindo aos eventos da comunidade negra, porque afirmou que, “grosseiramente, o cerimonial não convidou o vice-prefeito para as cadeiras das autoridades”.

Das 13h52 às 14h15, tudo foi falado, até referir-se ao médico e vice-prefeito, Pedro Teodoro, como “pessoa, fulano, indivíduo X”, sem jamais citar seu nome. E, a justificativa que deveria ser feita, respondendo por quê o médico não foi convidado pelo cerimonial da prefeitura para compor o lugar das autoridades, a dupla se omitiu.

Nenhuma palavra sobre a grosseria do cerimonial, ficando claro que o gesto foi endossado pelos dois jovens. Não cremos, entretanto, pela comunidade negra, pois esta é muito nobre e digna para compactuar com tamanha falta de educação.

E mais, antes dos jovens Túlio e Wolney, talvez, terem nascido, este jornal já cobria os eventos da raça negra, sempre nutrindo por essa comunidade o mais profundo respeito e carinho. Somos do tempo de Conceição, Dezidério, Bigico, Curtume, Toim do Azor, Izinha.. Somos do tempo da velha guarda, ainda com a graça de Deus, presente em nosso meio, Azor, Cirine Miguel, Dalva, Maria, Antônio Francisco, e tantos outros negros maravilhosos.

E, em respeito a eles e aos relevantes serviços que prestaram e prestam a Sacramento, no campo da cultura, da preservação e resgate dos valores, usos e costumes da África Mãe, este jornal vai continuar sua linha editorial livre e coerente. Muitas vezes errando, mas se dando à humildade, sempre, de na edição subseqüente, corrigi-se e pedir desculpas..

Aos jovens Túlio e Wolney, fica uma nova pergunta: Por que, também, ‘caprichosamente’, compactuaram com o gesto grosseiro do cerimonial da prefeitura, aceitando que o médico Pedro ficasse de fora da mesa de honra?