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Universitário denuncia irregularidades na AES
O estudante universitário, Luciano Gobbo, usou a tribuna da Câmara Municipal na reunião do dia 19 último, para denunciar diversas irregularidades na Associação dos Estudantes Universitários de Sacramento – AES, organização que administra o transporte de estudantes às suas respectivas faculdades, em Araxá, Franca e Uberaba. A decisão tomada por Gobbo veio em resposta às dificuldades que tem encontrado para implementar uma sindicância na AES, solicitada pelo próprio presidente, Romildo Leal Rodrigues, na assembléia de 26 de abril, na Casa da Cultura.

O acadêmico Luciano Gobbo: “A AES não me fornece os documentos”
Na dita assembléia, mostrando transparência em sua administração, o próprio Romildo requereu a sindicância. “Mediante as fofocas levantadas contra sua gestão, solicita uma sindicância de auditoria (sic) na Associação, desde sua fundação aos dias atuais e pede à presidente do Conselho Fiscal, Cristina Belai, para nomear um encarregado de acompanhar essa sindicância”, narra a ata. Como Luciano foi o membro indicado, através de carta assinada por Cristina, e recebida em 12 de maio, tomou a iniciativa de requerer os documentos para iniciar a auditoria, mas tem encontrado resistência. “A Associação está negando a me prestar essas informações”, denunciou no plenário da Câmara.
Mesmo assim, com base em alguns documentos, Gobbo foi enumerando algumas irregularidades, deixando claro que, não tem absolutamente nada com a vida particular do presidente em exercício Romildo Leal. “Se trocou ou não de carro, para mim não interessa, jamais duvidei ou fofoquei que ele tenha usado dinheiro da Associação para isso, o importante é a AES, enquanto entidade dos estudantes, os balanços apresentados são uma vergonha”, ressalvou. Veja os dados e denúncias apresentados por Luciano Gobbo na Câmara e a este jornal:
1. O presidente Romildo assumiu a AES em 8 de junho de 2007, com a licença do então presidente, Antônio Cassimiro, o Toninho, herdando uma dívida de R$ 268 mil, da qual, R$ 129 mil contraídas na administração de Celinho, antes de Toninho, e mais R$ 139 mil, da gestão do próprio Toninho.
2. “Nos três primeiros meses do ano, a AES conseguiu um superávit de forma cumulativa de R$ 116.169,61”, revelou, perguntando ainda, por que a entidade deixa tanto dinheiro em caixa e não no banco. “Somente no mês de março a entidade teve à sua disposição um superávit, R$ 16.568,99 em caixa, mais R$ 22.753.31, depositados nos bancos. “São portanto mais de trinta e oito mil reais em apenas um mês”, informou, com os balancetes da Pro Contábil Assessoria e Auditoria, de Uberaba, mas só assinados pelo presidente Romildo.
3. Lembrando a fala do presidente Romildo na tribuna da Câmara, quando justificou que “não poderia apresentar os documentos comprobatórios da situação da AES, porque a Associação não teria dinheiro em caixa para pagar as fotocópias. Como não tem” - perguntou Luciano – “o balanço de março informa que a AES tem R$ 16.568,99 em caixa. A desculpa dada pelo presidente é uma afronta aos estudantes e aos vereadores, já que os documentos provam a quantia que a Associação tem em caixa”.
4. Denunciou ainda o gasto da AES com telefones e combustível. “A Associação tem 13 telefones celulares, e, somente no mês de março, gastou R$ 1.253,63 e, com combustível, mais R$ 724,12, conforme constam nos balancetes.
5. Reiterou a indagação feita ao presidente Romildo na reunião do dia 26 de abril: por que alguns diretores da AES não pagam o transporte escolar, como os demais estudantes. Segundo o art. 15, do estatuto da entidade, “o exercício das funções de membros da Diretoria, do Conselho de Administração e Conselho Fiscal, não pode ser remunerado”. Já na assembléia, Romildo respondeu, conforme consta na ata, que “esta situação será ressarcida”, comprovando que existe débito por parte de alguns diretores.
6. Por que a AES repassou à Ulza Turismo, empresa responsável pelo transporte dos estudantes, a importância de R$ 77.584,51 em forma de “adiantamento”. Se foi para pagar dívidas anteriores, está errado, pois, pelo art. 4º do Regimento da AES, “a inadimplência deve ser executada individualmente, na forma da lei, sem que a sua dívida recaia sobre os demais”. No entanto, o dinheiro saiu do montante. E, eu acho que não foi para pagar dívida, uma vez que o próprio presidente, Romildo, afirmou na Câmara, dia 5 de maio, que o débito com a Ulza Turismo estava quitada desde janeiro. E, ainda, se foi para suprir as despesas dos estudantes referentes a março, essa rubrica deveria constar do balancete.
Por fim, argumentando a dificuldade que está encontrando para fazer a sindicância solicitada pelo próprio presidente Romildo, Luciano cobrou providências por parte da Câmara, que destina recursos mensalmente para a Associação. A resposta veio imediata. O vereador José Carlos Basso de Santi Vieira, o Fofão, apresentou requerimento à mesa diretora, para que solicite da Associação os devidos esclarecimentos, através de uma prestação de contas, com apresentação de documentos e que, se necessário, tomar todas as providências cabíveis no caso.
Auditoria pede 30 documentos à AES
Luciano Gobbo, como membro da Comissão de Sindicância, enumerou uma lista de 30 documentos solicitados à Associação dos Estudantes de Sacramento – AES, para providenciar a auditoria contábil da Associação. Começa pedindo a listagem de todos os estudantes inadimplentes do atual mandato e dos anteriores; comprovação da dívida com a Ulza Turismo deste e dos mandatos anteriores, assim como cópias de todos os contratos e aditivos com a empresa, além de todas as notas fiscais emitidas, com as respectivas planilhas de débito e dos dias viajados, quilômetros rodados e quantidade de veículos utilizados. E, também, os contratos com a empresa de telefonia celular e última conta paga.
A comissão requer ainda comprovação de pagamento dos boletos por parte dos membros da diretoria da AES; extratos bancários das contas da entidade e cópias dos cheques emitidos; livro caixa da AES; atas da posse da atual diretoria e do afastamento do presidente Antônio Cassimiro; cópias do Estatuto da entidade e de seu Regimento Interno; balanços patrimoniais e comprovação de publicação na imprensa, com assinatura do contador e seu respectivo CRCMG e do presidente; notas fiscais dos bens adquiridos pela AES, como móveis, computadores e celulares e nomes dos portadores; certidões negativas junto ao FGTS, INSS e Receita Federal; pareceres do Conselho Fiscal, com as respectivas assinaturas...
Romildo rebate denúncias
O presidente da AES, Romildo Leal Rodrigues, procurou o Assessor de Comunicação da Câmara Municipal, Carlos Mayer Pereira, proprietário do sítio, Sacranews, para rebater e esclarecer as denúncias feitas pelo estudante Luciano Gobbo. Veja as respostas dadas pelo presidente da AES:
1. Sobre o superávit de R$ 116 mil, não sabia explicar, porque, de fato, não existia.Por telefone, o contador da AES, Mauro Sérgio de Melo, da Pro Contábil Assessoria e Auditoria, de Uberaba, justificou: “O documento em mãos do estudante, Luciano Gobbo, não tinha validade por não constar sua assinatura, em seguida, disse que o valor de R$ 116.169.61, não era real, porque a ex-funcionária da Associação, chamada Simone, antes de deixar o trabalho, com certeza não tivera tempo suficiente para encaminhar as notas fiscais, por isso, não havia sido feita a dedução do valor a ser descontado, garantindo que a Associação de Sacramento, é sem fins lucrativos e o saldo é o mínimo possível. Hoje, por exemplo, a AES tem um déficit de R$ 6.374.81.
2. Romildo informa ao Sacranews que a AES estaria com débito com a empresa Ulza Turismo no valor de R$ 88.242.00, por 21 dias rodados, conforme informações de funcionário da empresa Ulza.
3. Sobre o gasto com combustível, o presidente Romildo alegou que, “anteriormente gastava-se, mensalmente, aproximadamente mil reais com veículo alugado. Tentando amenizar esta despesa, ele próprio passou a levar a documentação em seu veículo, com o intuito de economizar, confirmando que economizou e muito, pois os R$ 724,12, apontados por Luciano Gobbo, correspondem a quatro meses de transporte de documentos”.
4. A respeito dos 13 telefones celulares, o jornal virtual Sacranews informa que Romildo justificou que as despesas com telefone fixo estavam enormes, e que o tesoureiro da entidade encontrou uma forma de se tornar parceiro da Telemig Celular, adquirindo realmente 13 aparelhos, mas somente cinco estão em uso com diretores, para que não haja mais a necessidade de telefonemas a cobrar de outras cidades, ou mesmo locais. Reconheceu não ser justo o diretor telefonar às suas expensas, uma vez que pagam suas viagens igualmente aos demais e prestam um trabalho gratuito.
Por fim, Romildo disse que procurará a Justiça através de advogado para outras explicações. Por exemplo, o fornecimento de documentos administrativos a pessoas não autorizadas por ele, referindo-se aos documentos solicitados por Luciano Gobbo, como membro da comissão de sindicância. Sentindo duramente caluniado, deixou claro, “com todas as letras” - conforme afirma o Sacranews - “que a prestação de contas atualizada está à disposição de qualquer cidadão, na Prefeitura de Sacramento, pois há uma exigência que se preste contas mensalmente ao município”.
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