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Escola & Família



Tenho-me preocupado, cada vez mais, com os rumos que a educação vem tomando, considerada a inter-relação que deveria existir entre a escola e a família.

Insisto na influência, nem sempre positiva, do avanço tecnológico, interferindo na educação: internet, celular, câmeras sofisticadas, MP3, MP4 e muito mais.
É comum, nas escolas, ver o envolvimento dos alunos com tais aparelhos. O celular, que deveria ser utilizado em situações de emergência, tornou-se objeto de banalidades. Ele abriga de tudo: fotos, filmagem, internet, bluetooth (envia fotos e músicas, gratuitamente, para outro aparelho a até vinte metros de distância), calculadora, além de outras “mil e uma utilidades”.

O pior: até as crianças já aderiram ao modismo.
Vejamos, agora, a atuação dos pais, em tais situações: a maioria, geralmente, não resiste à pressão dos filhos. E lá se vão, jovens e crianças, portões escolares adentro, celular na mão, MP3 ao ouvido, e a alienação se instalando na cabeça de muitos.

Se o professor não for esperto e vigilante, aquele aluno do canto, quieto, aparentemente atento, celular escondido aos olhos do mestre, estará mais distante do ambiente da sala de aula do que um outro, mais agitado. Se o professor não for esperto e vigilante, cabelos compridos esconderão o fio preto do MP3 ou MP4, a música, possivelmente alienante, levando alunos com tal comportamento para caminhos alheios àqueles que precisam ser trilhados. Conseqüência: à escola compete, então, a responsabilidade de inibir os excessos, proibir os excessos, com atitudes que, logicamente, irritam os alunos.

Assim, os pais ficam com a boa parte: cedem a todas as pressões dos filhos, com presentes desnecessários, para usos também desnecessários, aos olhos dos filhos os bonzinhos, os acessíveis. Para a escola, fica a pecha de tirana, isentando-se os pais das atitudes inibidoras. A culpa passa, então, a ser da escola, por tentar desempenhar o papel que deveria ser dos pais: estes têm plena consciência dos males provocados pelo uso indiscriminado de artefatos que podem prejudicar o andamento escolar dos filhos e, mesmo assim, cedem. Que outros resolvam o problema, não eles, os pais, que de tudo fazem para satisfazer até mesmo as exigências mais absurdas dos filhos.

Costumo dizer que a educação, que deveria vir dos lares, de casa, foi “terceirizada” para as escolas: a estas, coitadas!, fica a missão, não de cooperadoras na educação de crianças e jovens, mas, em muitos casos, de gestoras de tal educação.

Tal estado de coisas se generalizou: basta conversar com diretores, professores e especialistas de qualquer escola, para se constatar que a noção de valores, de responsabilidades está desvirtuada.

Capengando, os educadores agem como podem, às vezes contra a correnteza, contando, felizmente, apenas com uma pequena parcela de pais conscientes e atentos em relação aos seus deveres.

*Educadora do Colégio Nossa Senhora das Graças. Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro. thuebmenezes@hotmail.com