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Fumo e álcool
Nunca, antes, na história deste país, o álcool e o fumo foram alvos de campanhas tão bem coordenadas contra eles.
A bebida foi objeto de uma lei muito severa, denominada Lei Seca. Nos primeiros meses de vigência, tal lei conseguiu diminuir o número de acidentes nas estradas, bem como o de vítimas fatais e o de feridos, além de reduzir custos nos hospitais. O importante, mesmo, são as vidas salvas.
O certo é que a Lei Seca não proíbe a ingestão da bebida. Quem gosta de beber beba o quanto desejar. O que a benéfica Lei determina é que o bebedor não pegue o volante após satisfazer a vontade de beber. As empresas que fabricam cerveja já adaptaram as suas propagandas ao espírito da Lei, com o aviso de alerta: “Se beber, não dirija.”
Adiantando-se às concorrentes, uma empresa está reativando uma boa campanha, que fez muito bem aos beberrões, há algum tempo. É a campanha do “motorista da vez”, que consiste na escolha ou sorteio de um dos componentes de um grupo de amigos para ser o motorista do grupo naquela noite. Esse motorista fica impedido de tomar bebida alcoólica. Assim poderá levar os seus companheiros em segurança para casa.
Como não há não sem senão, o juiz Ricardo Teixeira Lemos, de Aparecida de Goiânia, conforme notícia publicada pela Folha de S. Paulo (6/9/08), mandou libertar motorista que fora detido pela PRF por estar dirigindo bêbado. O motorista, ao ser abordado, apresentava visíveis sinais de embriaguez. Na sentença, o referido juiz argumentou que “a cerveja forma com o futebol um casal e é uma paixão do brasileiro”. O juiz explicou à Folha que ele “não pode ser escravo das leis e que tem a obrigação de interpretar a legislação.”
Ao determinar a libertação do motorista, ainda falou em prejuízos para a economia decorrentes da norma. “Não só para as cervejarias, mas para o comércio, isto em troca de algumas almas que, em tese, momentaneamente foram salvas de acidentes.” Pois é isso, caríssimos leitores.
Já contra o fumo, tem causado furor, em São Paulo, uma lei que pretende proibir o uso do cigarro em recintos fechados e pretende abolir os fumódromos, antes admitidos em restaurantes e empresas. O fumante só pode acender o seu cigarrinho em casa ou ar livre.
E, mais uma vez, como não há não sem senão, o nosso Presidente declarou que na sala dele quem manda é ele. E fuma à vontade. Entretanto é o poder comandado por ele que está colocando no ar uma campanha muito forte contra o fumo. É possível entender? Há um movimento para que surja uma lei proibindo o motorista de fumar ao volante, pois o cigarro aceso é causa de muitos acidentes. Será que o Presidente vai apoiar a medida? Aguardemos.
E em bem fundamentado anúncio na Folha, o GAT, Grupo de Apoio ao Tabagista do Hospital A. C. Camargo, que em doze anos já ajudou muitos fumantes a abandonarem o vício, faz o seguinte convite: “Presidente Lula, venha para o GAT!”
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