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A arte de filosofar



O que seria do mundo sem os filósofos? Eles têm mentes privilegiadas e passam a vida propondo caminhos para os demais mortais. Sempre que tenho à mão algum pensamento filosófico, passo algum tempo a meditar sobre o que li, procurando alcançar o significado.

Para todos os que se dedicam a ler estas linhas, ofereço um pensamento de Bertrand Russell (1872-1970), filósofo dos mais influentes do século XX: “Não possuir algumas das coisas que desejamos é parte indispensável da felicidade.”

Como é que é? É isso mesmo o que disse o filósofo. É algo profundo e que nos faz meditar com bastante atenção, para que possamos alcançar o raciocínio do autor do pensamento. E acabamos por dar ao corolário – pelo menos eu cheguei lá! – de que é melhor desejar do que possuir determinados bens.

Bem que eu gostaria de possuir um avião, um enorme navio, um palácio. Mas, nas minhas atuais condições financeiras, como é que gerenciaria tais onerosos bens? Sinto, então, que posso ser feliz pensando em tê-los e, mais ainda, sonhando que um dia poderão estar em meu poder. E fico feliz por não gastar nada com eles, já que no sonho nada me custam.

Vale pensar na experiência de muitos que sonharam com riquezas, acertaram o grande prêmio na loteria e deram-se mal com a dinheirama que ganharam. Mesmo com o dinheiro na mão, viram a felicidade fugir de sua presença por conflitos com familiares e amigos, discordâncias ou incertezas na administração do capital ou falta de maturidade, de serenidade e de preparo para lidar com montante tão vultoso. Mesmo entre aqueles que bem incluem a nova condição em suas vidas, já se provou que o nível de felicidade reportado após um ano do grande dia é igual (isso mesmo, igual) ao de antes. Quem era triste continua triste. Ou seja, preservadas as condições básicas de sobrevivência do ser humano, felicidade é mais uma questão de talento do que de qualquer fator externo.

Fico na dúvida se o que vou transcrever a seguir veio da cabeça de algum pensador erudito ou se é algo surgido no seio do povo que, também, tem lá a sua filosofia. É um dito com muito de verdade e que pode ser comparado, em sua essência, ao pensamento já enunciado: “Não tenho tudo o que amo, mas amo tudo o que tenho.”

Esse pensamento aponta para o fato de que almejamos conseguir algo mais na vida, entretanto amamos o que já conquistamos. Somos felizes com o que temos, todavia pretendemos ter algo mais. E, é claro, iremos estimar algo que tenhamos conseguido amealhar com o nosso esforço.

É bom para o espírito nos debruçarmos sobre o que os filósofos pensaram e nos transmitiram. Pensar faz bem. E é certo que mora um filósofo dentro de cada um de nós. Ainda que sejamos filósofos de botequim.