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Para rir e para chorar



Sobre um lenhador, há uma anedota, que até pode provocar alguma risada: Um lenhador, desempregado, foi para a Região Amazônica levando o seu precioso machado, ferramenta de trabalho. Lá chegando, apresentou-se a um proprietário de madeireira, oferecendo seus serviços. O madeireiro achou graça na oferta, porém retrucou que o serviço de derrubar árvores, em tempos modernos, é feito com motosserras. Entretanto o lenhador, precisando ganhar o pão-de-cada-dia, prontificou-se a fazer uma demonstração de seu desempenho por um dia a troco de comida e alguns reais. Aceita a proposta, o madeireiro determinou a área a ser trabalhada e colocou-se num lugar de onde poderia acompanhar o trabalho do lenhador.

Esforçado, o lenhador, então, iniciou a tarefa, atacando com vigor uma enorme árvore. E, à força de repetidas e vigorosas machadadas, logo o espécime foi ao chão arrastando, na queda, inúmeras árvores menores. Além de derrubar as árvores, o lenhador executava o trabalho de desbaste, deixando a área livre, E foi assim durante o dia todo. Ao final, havia uma enorme clareira aberta onde antes era mata fechada, compacta.

Mostrando surpresa pela amostragem do serviço, o madeireiro perguntou ao lenhador que tipo de experiência lhe proporcionara tamanha destreza. Em resposta, o lenhador informou que a sua maior experiência fora no deserto do Saara.

_ Mas lá não há floresta, retrucou o madeireiro.

_ Mas havia, quando lá cheguei, explicou o lenhador.

A brincadeira poderia ser cômica, não fosse a parte trágica. Recentes notícias sobre a destruição da Amazônia registram que um único manejador de motosserra é capaz de derrubar cerca de mil e duzentas árvores por dia. Uma árvore de grande porte, ao cair, arrasta consigo uma centena de outras.

Por isso mesmo é que o atual Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, em recente pronunciamento, disse que este ano haverá aumento na área desmatada na Amazônia em relação ao mesmo período do ano passado.

E o deserto avança sobre a Amazônia, inexoravelmente. Ainda bem que o Ministro já achou alguns dos culpados: os bois. E já apreendeu três mil e cem cabeças de gado no Pará e nove mil e quinhentas cabeças em Rondônia. Realmente, boi faz um estrago danado na floresta. Por onde ele passa, nada nasce. São as chifradas da boiada que vão derrubando muitas árvores...

Tenho por mim que o Presidente Sarney deve ter levado um susto quando ouviu a recente história de confisco de bois no pasto. Até parece que o Ministro andou copiando coisas daquele governo, como quando Sarney ameaçou confiscar bois, caso os pecuaristas os escondessem.

O que se nota, hoje em dia, é conversa demais sobre a Amazônia, um pedaço de Brasil. Nós a queremos nossa. Entretanto, há pouca ação dos responsáveis pelos destinos da Pátria quanto àquele território, explorado por muitos e resguardado por ninguém. Há muita conversa “protecionista” e pouca ação para o efetivo resguardo da floresta.

Com tantos lenhadores por lá, é certa a criação de um implacável deserto. O nosso lenhador e seu machado já foram contratados pelo madeireiro.