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Espaço livre para novos sentimentos
É comum se ter o hábito de acumular coisas. Quem o faz parece seguir um antigo ensinamento popular que afirma: “quem guarda o que não presta sempre tem o que precisa”. Com o passar do tempo, cômodos ficam entulhados de trastes os mais diversos, que terminam por não serem utilizados por anos e anos. Ficou valendo, então, só a primeira parte do ditado, pois guardou-se o que não mais se prestou ao uso, entretanto nunca mais se precisou do que foi guardado. E também não se pôde comprar coisa alguma nova, pois o espaço na casa ficou ocupado por objetos sem utilidade, objetos que até podem estar fazendo falta em outros lares.
Em alguns países há o costume de se leiloarem coisas usadas das quais a família deseja se livrar. A oportunidade financeira para comprar uma geladeira, um fogão ou uma mobília indica que vai haver um leilão naquela residência, pois a norma por lá é sair o velho para entrar o novo. Assim o ar que se respira no lar é sempre renovado.
Com os sentimentos, podemos afirmar que acontece situação análoga. O coração é um cômodo muito pequeno (ainda que digam que se tem um grande coração) e é importante que seja ocupado com sentimentos bons, prazerosos. Um coração cheio de bondade, de amor, de misericórdia, de perdão está com o espaço bem ocupado.
Mas, se por acaso, algum pedaço do coração foi preenchido pelo ódio, pelo rancor, por qualquer sentimento negativo, talvez não vá caber ali um sentimento nobre. Sentimentos e pensamentos negativos atraem males, doenças e dissabores. Melhor é jogar fora esses pensamentos negativos, como trastes que nunca mais serão usados, deixando o lugar livre para que nesse espaço se alojem sentimentos bons.
Coisas velhas e sentimentos negativos, conservá-los para quê? Enquanto o melhor a fazer com bens materiais que já foram úteis em algum tempo seja leiloá-los, já que outras pessoas poderão se alegrar com eles, quanto aos pensamentos negativos o melhor é jogá-los fora, pois abrirão espaço para um coração alegre, amoroso e gentil.
Espaços ocupados por coisas ruins devem ficar livres, prontos para serem bem utilizados. É possível arejar uma casa deixando-lhe os cômodos livres; é possível arejar a cabeça deixando o coração livre de pensamentos e sentimentos ruins.
Embora seja aparentemente simples, não é fácil descartar os hábitos arraigados de guardar coisas em casa e de aprisionar sentimentos ruins no coração. Mas é possível tentar deixar de guardar coisas, o que já é um bom começo, para que, aos poucos, se consiga dar mais um passo, livrando-se dos trastes velhos. Dessa forma, vai-se tomando gosto pela inovação.
Quanto aos sentimentos ruins, é claro que podem ser jogados fora. É só experimentar a troca de rimas destes substantivos abstratos: rancor por amor, e maldade por bondade. E um ser novo estará convivendo com outros seres. A pessoa amarga ou amargurada vai ceder lugar a outra alegre, feliz e cheia de bondade. E essas coisas impalpáveis tocam corações e melhoram a vida de todo mundo. Todos podemos deixar o acanhamento de lado; todos podemos fazer a experiência.
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