Pesquise por:



Conselhos



“Quer um conselho de amigo?” Creio que é melhor responder com um sonoro não, caso lhe façam tal pergunta. (Essa é a minha idéia; não, um conselho.) Reza o folclore que, “se conselho fosse mesmo bom, ninguém o daria, mas cobraria um bom preço por ele”.

Hoje, os desconfiados têm um pouco mais de cautela quando ouvem a famosa oração condicional: “Se eu fosse você...” E se resguardam, pois quem fala não é mesmo o outro, para quem não é possível a onisciência a respeito do caso.

E ao falar sobre a questão, até parece que estou dando conselhos aos leitores. Porém, acreditem, não é nada disso, embora seja conveniente entenderem o propósito dessas idéias. Quero, apenas, que pensem o quanto já foram prejudicados pelos, digamos, bons conselhos recebidos.
Claro que todos podem se lembrar das situações em que sugestões alheias resultaram em sucesso nos negócios, na vida amorosa e na vida profissional. Entretanto, continua sendo um previsível risco pedir conselhos a quem quer que seja.
Pode até acontecer de o conselho ser bom, se oferecido com convicção. Mas, se o interlocutor começa a falar um “eu-acho-que...”, o fato de seguir o conselho pode dar em mau resultado. Afinal, o achismo é uma forma de não-comprometimento. O conselheiro convicto da eficácia de sua sugestão há de usar a força das palavras: “Nessa situação, faça isso...”

Todavia, cuidado! Existe o amigo-da-onça. Ele tem sempre uma válvula de escape, caso sua idéia resulte em desastre. E não titubeia em alardear, diante do fracasso de outrem: “Bem que eu avisei que poderia não dar certo!”

Há aquele que pede conselhos usando uma fórmula especial. “Na sua opinião, o que devo fazer, nesse caso?” E faz tal indagação a várias pessoas, até que encontre pelo menos uma que responda aquilo que ele já havia decido fazer.

Os conselheiros estão de plantão com o palpite certo no momento errado. Ou, talvez, com o palpite errado no momento certo:

_ Seu patrão é um carrasco. Largue esse emprego e procure coisa melhor!

_ É negócio garantido, pode colocar dinheiro nele, que é lucro certo!

_ Conheço o cavalo. Pode apostar, que é dinheiro no bolso!

Com muitas variações nos três exemplos, é possível encontrarmos milhares de sugestões que nos foram ofertadas, mesmo sem serem pedidas.

Convém que todos tenhamos em mente os ensinamentos da sabedoria popular que, de graça, atravessam os tempos e alertam: “Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.”

Poder-nos-íamos alongar nessa abordagem sobre conselhos. Mas, acreditem, recebi um de alguém que estimo muito: “É melhor parar por aqui.” E preferi seguir o bom conselho, que, aliás, nem pedi.