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Clic Criança - Escola para Todos



Todos que estão ligados na novela de Manoel Carlos, em "Páginas da Vida",ficam sensibilizados com o tema abordado pelo escritor do cotidiano sobre as as crianças portadoras de Síndrome de Down.

Nós, pedagogas, sabemos que a inclusão do portador de Síndome de Down é normal, quando a escola se reorganiza pedagogicamente. Significa, por exemplo, trabalhar com ciclos de formação, em que as crianças são agrupadas pela faixa etária e não pelo nível de conhecimento. Nesses sistema, o aprendizado é coletivo e a avaliação valoriza as habilidades de cada aluno Na Matemática, por exemplo, um colega consegue fazer contas, mas outro, com algum tipo de deficiência, só consegue entender que não pode pagar a feira porque os produtos custam mais do que ele tem. Ambos aproveitam o conhecimento à sua maneira. Sabemos que o rendimento da criança portadora de Down é maior na escola regular pois enfrentam situações que o desafiam. Se não consegue de um jeito, tenta de outro.

Avaliamos e sabemos, ressentidas ser a inclusão dessas crianças nas escolas, particulares serem ainda muito mais incipiente. Na maioria das vezes, as escolas particulares alegam que não estão preparadas para recebê-la, mas percebemos que é mais pelo medo do preconceito da sociedade.Sem generalizar, conhecemos escolas particulares de Uberaba que querem sempre encaminhar a criança para uma sala especial. Culpam a criança de não poder atendê-la, em vez de assumir que o problema é da escola.Temos que provocar esta escola a mudar e, assim, acolher a criança especial. Colocar no currículo natação, educação física, dança, teatro, aos poucos inseri-la em mais atividades, e por fim, encaminhá-la a uma sala comum.

Na escola pública, o movimento de inclusão tem avançado mais. De quatro anos para cá, não se abrem mais salas especiais. Hoje, são instituições que trabalham em parceria com a escola regular.O convívio com outras crianças faz com que as portadoras de Down se tornem mais independentes e com vontade de aprender cada vez mais.

Vemos na novela a barreira da mãe, Helena, ao tentar matricular sua filha Clarinha, o que por determinação da Resolução n*2, de 2.001, do Conselho Nacional de Ensino ( www.pgr.mpf.gov.br/pfdc/pfdc,html) , não pode ser recusada. Na prática, o problema é que, apesar de a resolução assegurar a entrada da criança com deficiência na escola, não assegura a sua permanência, pois ela pode decidir pelo seu encaminhamento a uma instituição de ensino especial ou a uma regular com sala-especial. Esta ai a descriminação. Portanto conseguir vaga para a criança com Sídrome de Down não é tudo, O desafio é fazer a criança permanecer na escola.

A bailarina Aline Fávaro Tomaz que tem Síndrome de Down, não só emociona a platéia em suas apresentações, como também seu talento. Sua perfeição ao dançar desperta a curiosidade de todos.

Vimos, no, " Fantástico", Débora, 22 anos, concluir o curso de Magistério e se tornar professora.O que a destaca na busca desse sonho é ser´portadora da Síndrome de Down. Seus familiares atribuíram a trajetória de sucesso da filha à sua convivência na escola. Sempre estudou em colégios comuns, que a aceitaram e fizeram de tudo para moldarem às suas necessidades, em vez de a forçarem a se adaptar ao seu padrão de ensino. Essa, é a verdadeira "Escola para todos", a que inclui crianças com deficiência, na sociedade. É instituição educacional ciente de que ela se constrói aos poucos, com troca de informações entre pais, familiares, professores e amiguinhos. Inclusão já !....

Dois beijos!

Aní e Iná

Pedagogas e Pesquisadoras

gemeasanina@mednet.com.br - gemeasanina@terra.com.br