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Na Lenda Antiga, uma Verdade Imorredoura



Gessy Carísio de PaulaA alma humana vive de Esperanças: para o pobre e faminto, a esperança de que um dia a vida melhore e a sua mesa se torne farta; para a criança sem família, a esperança de que um dia a vida lhe traga algum carinho e amor; para o desempregado, a esperança de que o “amanhã” seja melhor, e o trabalho lhe preencha as horas vazias; para o doente, a esperança de cura; para o desabrigado, a esperança de que alguém lhe dê abrigo; para o desportista, o esforço e a luta na esperança de conquistar a vitória; em tempos de guerra, a esperança de que a Paz se instale e ainda, para o ignorante ou analfabeto, a esperança de alcançar o aprendizado e a leitura, fatores imprescindíveis à nossa condição humana.
   
Em dias atuais, quando tudo fica obscuro e complicado diante da imensa onda de desonestidade pairando sobre nossas cabeças; quando o poder sobrepuja qualquer condescendência ao semelhante e o egoísmo impera, o homem perde suas energias e se enfraquece, entregando-se à revolta e à desesperança, sem alternativas que lhe levantem o ânimo; ONGs se formam, no sentido de aliviar este sofrimento, mas muito pouco ainda se consegue, dado o desencontro geral: para se conquistar algum auxílio, há necessidade de se colocar, em primeiro plano, a ação da vontade.

Esta, nasce primeiro em nosso espírito, passa pela nossa mente e age sobre nosso corpo.  A vontade de se tomar decisões em busca da felicidade, deixando que  a Luz verde da Esperança brilhe sempre dentro de nossa alma.

Como pequeninas gotas de luz agindo sobre nosso coração, a Esperança torna-se imorredoura, eterna. Estimula nossa disposição na caminhada e os ideais aparentemente inalcançáveis, um dia são conquistados. E assim segue a vida.
   
O poeta hindu Rabindranat Tagore conta uma lenda sobre esta Luz e aqui seguem os versos que a sintetizam:


ESPERANÇA

Gessy Carísio de Paula
    (Para Rabindranat Tagore)

Desceu do céu para a Terra
uma côrte estelar,
em visita de alegria
de união e amizade.
Caminharam pelos vales,
montes, bosques, colinas
deslumbrando-se com os lagos,
pássaros, campos, cidades.

Foram tantas novidades
que puderam vislumbrar.
Admiraram as flores
como também o luar.
Terminada a trajetória
as faiscantes estrelas,
em viagem luminosa
voltaram ao seu lugar.

Quando enfim, ao céu chegaram
puderam então constatar
a ausência de uma estrela
que, por certo, se perdera.

Puseram-se novamente
a descer, e a descer,
em busca da pequenina,
uma estrelinha perdida.
Depois de muito trabalho
encontraram-na esquecida.

Desgarrada do cortejo,
desejou aqui ficar.
...........................................
Faiscando na campina,
espalhando confiança,
estímulo que não se cansa,
 a Luz Verde da Esperança
que a nossa alma afaga.
............................................
É por isso que na Terra
essa Luz jamais se apaga!!

Poema escrito em Araguari, aos 3 dias do mês de fevereiro do ano 2000.

Gessy Carísio de Paula é aluna do 3º período do Curso de Letras – UNIPAC-Araguari (MG)